Arte, festas e tradições
O Barroco
Minas Gerais
Importada
de Portugal no século XVII, a arte barroca torna-se a forma de
expressão mais notável no Brasil. Grandiosa, mesclando
realismo e imaginário, rigor e excesso, apresentando uma profusão
de talhas douradas e de figuras voluptuosas, assim é a arte barroca
brasileira. Foi no Estado de Minas Gerais que o barroco atingiu seu
apogeu, especialmente através da obra do grande escultor Antônio
Francisco Lisboa, « O Aleijadinho ». Exemplo ímpar
dessa arte é o santuário de Bom Jesus de Matosinhos, em
Congonhas do Campo, Patrimônio Mundial da Unesco, situado no alto
de uma colina, abraçando um amplo vale. As estátuas de
esteatita (pedra-sabão) dos doze profetas ornamentam a esplanada
da igreja, criando um conjunto de uma extraordinária unidade
plástica.
A poucos quilômetros de Congonhas do Campo, fica Ouro Preto,
fundada no período da corrida ao ouro. Cidade-museu, Ouro Preto
chegou-nos até hoje quase intata, com suas ruas íngremes,
suas casas com balcões ornamentados de ferro forjado, suas igrejas
e suas capelas barrocas. As cidadezinhas de Tiradentes, Sabará
e São João del Rei completam este circuito das cidades
de arte de Minas Gerais.
Bahia
Salvador conservou, através de sua arquitetura, a lembrança
dos dois séculos durante os quais foi capital do Brasil. A igreja
de São Francisco de Assis, também chamada “ a igreja
do ouro”, por causa da abundante ornamentação em
talha dourada, é o mais belo exemplo de exuberância barroca:
desde às colunas até ao teto, dos altares até às
portas, tudo é coberto de ouro. Bem perto daí, no Largo
do Pelourinho, também classificado patrimônio da humanidade
pela Unesco, vamos admirar as casas de tipo colonial, com suas fachadas
pintadas de azul, amarelo ou ocra.
Pernambuco et Maranhão
Em Recife, Olinda e São Luís, três cidades do Nordeste,
vamos deparar novamente com o encanto das cidades coloniais e suas fachadas
decoradas com azulejos. Deixando São Luís e atravessando
a baía de São Marcos, chegamos a Alcântara, cidade-museu,
pacata, envolvida ainda num sono povoado de anjos barrocos e de festas
de outrora.
A
arte popular
Nos mercados do Nordeste pernambucano, e especialmente na cidadezinha
de Caruaru, as barracas vendendo peças de cerâmica de barro
são inúmeras. Vitalino e Zé Caboclo são
os mestres mais conhecidos. Suas peças são principalmente
figurinos de barro representando cenas completas da vida cotidiana,
bastante realistas, tais como famílias de retirantes tentando
escapar à seca e à miséria, tira-dentes, parteiras,
animais, músicos, etc.
É em Salvador, e sobretudo no famoso Mercado Modelo, que poderemos
encontrar a maior variedade de artesanato popular: figurinos de barro,
diversos objetos de cobre, de madeira esculpida ou de pedra semi-preciosa.
Situada no meio do gigantesco estuário do rio Amazonas, a ilha
do Marajó, com uma superfície equivalente à da
Bélgica, abrigou outrora uma civilização índia
que nos legou uma cerâmica de alto nível artístico
e que os oleiros de hoje tentam perpetuar. Entre a produção
artesanal indígena encontramos máscaras em fibras vegetais,
cestos, redes e chapéus-de-pena maravilhosos.
Danças e Músicas Populares
Como
em outros domínios culturais, o que caracteriza a música
brasileira são as diversas influências índias, africanas
e européias que ela soube integrar. Durante muitos anos, para
os estrangeiros, a música brasileira resumia-se ao samba e à
bossa-nova. Mas, se tentarmos conhecê-la melhor, vamos constatar
que pela sua diversidade e qualidade, a música brasileira é
uma das mais ricas do mundo. Desde os repentistas nordestinos, espécie
de trovadores dos tempos modernos, até os grupos de trio elétrico,
a paisagem musical brasileira apresenta uma grande variedade: baião,
xote, chorinho, frevo, forró, etc., para citar apenas alguns
exemplos.
As danças folclóricas mais conhecidas, especialmente
no Nordeste, são a cavalhada de origem européia, o bumba-meu-boi
(que é dança e teatro ao mesmo tempo) e a capoeira, praticada
principalmente em Salvador. Antiga luta dos escravos, hoje tranformada
numa dança, a capoeira é acompanhada pelo berimbau, o
agogo, o reco-reco e o caxixi. Entre os instrumentos de música
mais conhecidos aparecem o violão, o cavaquinho, a sanfona, a
flauta e o pandeiro.
Festas
e Tradições
O Carnaval é, sem dúvida alguma, a maior festa popular
do Brasil, atingindo seu apogeu durante o desfile das Escolas de samba,
no Rio de Janeiro, ou dos grupos afros e dos Trios elétricos,
em Salvador, ou ainda durante o frevo bastante animado e colorido em
Recife e Olinda.
Entre as numerosas festas religiosas e as procissões, a Lavagem
do Bonfim e a festa de Nossa Senhora dos Navegantes, em Salvador, integrando
simultaneamente santos católicos e divindades africanas, representam
para os bahianos um elemento importantíssimo de sua fé
e de sua devoção. As cerimônias consagradas a Iemanjá,
deusa do Mar, são as mais populares na capital bahiana, mas também
no Rio de Janeiro, durante a noite de São Silvestre, quando uma
multidão de fiéis todas vestidas de branco, as mães-de-santo,
vêm praticar as oferendas rituais dedicadas a Iemanjá,
na luz trêmula de milhares de velas cintilando nas praias.